Campeão do Nacional de Pokémon TCG 2014

Por Marcelo Magalhães

Olá pessoal, pra quem ainda não me conhece me chamo Marcelo Magalhães, tenho 28 anos e sou de Brasília/DF. Gosto de Pokémon desde os meus 14 anos quando apareceu primeiro o anime por aqui, depois fui me apaixonando pela franquia dos video-games, embora sempre for fun, foi quando há muito tempo atrás havia jogado PokémonTCG pra GameBoy, onde aprendi o básico sobre o jogo. Como na época era difícil e bem mais caro o acesso, só tive a oportunidade de jogar TCG real nos últimos 3 anos, quando a COPAG assumuiu a franquia no país. Comecei colecionando umas cartinhas, depois fui procurando nas redes sociais quem jogava e acabei encontrando os poucos de Brasília que jogavam. Fui me enturmando, com meu jeito bem tímido, mas foi quando aprendi a jogar competitivamente. Meu primeiro torneio foi um selado de Noble Victories, o qual eu acabei vencendo. Foi quando realmente me apaixonei pelo jogo e resolvi levá-lo mais a sério.

Participei do Nacional de 2012 e fiquei maravilhado com o clima que existe em torneios grandes, a competitividade e o fair play são o que mais gosto no jogo e é o que me motiva a continuar jogando. Não lembro bem a minha classificação mas tinha ficado entre os 40 primeiros jogando de Zekeels com Mewtwo. Admirei o pessoal que fez Top nesse torneio pois vi o quanto o torneio é difícil e tive meu primeiro ídolo, o campeão daquele ano, Cesar Lopes Pereira, pelos excelentes resultados que ele havia conseguido: se não me engano ele ganhou o torneio invicto!

No Nacional do ano passado eu tive a grande felicidade de ter conseguido chegar até a final jogando de Spaghetti (Sigilyph/Virizion/Victini/Sableye/Tornadus-EX), algo que realmente eu não esperava, mas o que me ajudou bastante foi a escolha do deck, que poucos conheciam e os poucos que conheciam não sabiam como jogar contra direito. Tive ao mesmo tempo a tristeza e a frustração de ter perdido na final por pegar uma match muito desfavorável, um excelente oponente e meu segundo ídolo, Vinícius La Padula, e também enfrentado um nervosismo incontrolável. Mas foi até então o campeonato mais importante pois aprendi muito sobre mim mesmo e como lutar contra as adversidades. (Link pro Report do Ano Passado)

Ano passado fui ao Mundial em Vancouver, joguei de Gothitelle por já gostar do deck e por ele ter vencido o Nacional Americano, o que mostrava o potencial do deck. Foi um erro pois todos esperavam e se prepararam contra o deck, o que me rendeu um 126ºlugar. A experiência do Mundial é algo surreal, eu incentivo a todos chegarem até lá um dia. Espero que esse report não seja apenas uma descrição do que aconteceu, mas um incentivo a todos continuarem lutando, pois este meu breve histórico no game é uma história de superação.

A escolha do deck foi muito difícil este ano. Joguei o começo da temporada com Virgen/Munna/Musharna e consegui um 2º lugar no Regional de Brasília. Joguei de Ho-oh/Garbodor/Techs em dois Cities e consegui um 2º lugar em Brasília também. Joguei os dois Regionais de Abril do Centro-oeste, com Darkrai/Yveltal/Absol em Brasília onde fiquei em 2o lugar (NOVAMENTE) e em Goiânia de Darkrai/Yveltal/Garbodor onde peguei o 7º lugar. Já estava tranquilo com os CPs pois já somavam a minha vaga pro Mundial deste ano. Não tive muito tempo pra me preparar muito pela correria no trabalho, abracei a idéia do meu ídolo número 1 e grande amigo: André Bortoni, de que poderíamos jogar com Darkrai/Yveltal/Zoroark, o que quase ninguém provavelmente estaria esperando e eu quis contar com o fator surpresa novamente. Além disso, vimos que o Kevin Baxter, um americano, havia feito Top 8 com esse deck num Regional importante por lá. Entrei em contato com ele e ele foi muito gentil em me dar umas dicas e a lista que ele tinha usado.

Desde os regionais até a noite da sexta-feira anterior ao Nacional eu dediquei o tempo que tive jogando com Zoroark com o Bortoni e meu outro grande ídolo Daniel Nunes, mas a maior parte no PTCGOnline. Trabalhei sexta-feira desde cedo até às 19h, fui do trabalho direto pro aeroporto pois meu vôo era às 20h30 e cheguei em SP, no hotel, às 23h. Por sorte do destino, do acaso, intervenção divina ou não sei o quê, não foi nada combinado, fiquei no mesmo hotel e no mesmo andar que o Team Wada, lendas do Pokémon TCG e time o qual eu gostaria de participar caso fosse de SP, e caso eles me aceitassem também, haha. Os meninos foram muito gentis em me aceitar pra treinar aqueles últimos momentos e este foi o momento decisivo. As poucas partidas que jogamos vi que o deck de Zoroark não estava rodando bem e estava perdendo quase todas. Não me convenci com o deck e resolvi mudar ali já quase às 4h da madrugada. Tinha a intuição de que Darkrai/Yveltal levaria o torneio, só não sabia a versão. Me inspirei na lista de outro grande MITO do Pokémon chamado Gabriel Semedo, pude ver ele jogando durante o Regional de Goiânia e fui observando mais ou menos a lista e a forma dele jogar.

Tentei fazer uma mistura de Darkrai/Yveltal/Bouffalant/Garbodor, com 1-1 Garbodor ali de última hora, esperando que teria muito Blastoise, Emboar e Virgen, que são matchs difíceis, além de eu não ter treinado muito uma vez que eu estava de Zoroark até então. Fui dormir já era quase 5h da manhã e acordei assustado por volta das 8h com o Team Wada batendo à porta do quarto. Escrevi a decklist com 1-1 Garbodor e fui assim pro Nacional. Lá chegando tivemos aquela demora imensa no início, deu repareamento e tudo e acabou que nos liberaram pro almoço pra começar o torneio de verdade às 13h. Neste momento pedi pro Daniel Nunes jogar uma última partida comigo no quarto do hotel e foi quando tive a segurança em tirar o 1-1 Garbodor, vendo que ele não iria fazer muita diferença e iria tirar a consistência do meu deck. Por isso fiz uma nova lista apenas com Darkrai/Yveltal/Bouffalant. Que é a lista que segue abaixo:

3 Yveltal-EX
2 Darkrai-EX
2 Yveltal 
2 Bouffalant
1 Sableye
1 Keldeo-EX

= 11

8 Dark Energy
4 DCE
= 12

4 Juniper
4 N
2 Colress
2 Bicycle
1 Random Receiver
= 13

4 Hypnotoxic Laser
2 Virbank City Gym
3 Ultra Ball
3 Pokémon Catcher
3 Dark Patch
3 Muscle Band
2 Energy Switch
1 Tool Scraper
1 Professor’s Letter
1 Dowsing Machine
1 Enhanced Hammer
= 24

1º Round X Felipe (Plasma/Lugia-EX)
Eu estava muito nervoso pelo começo do torneio. Lembro de ele ter começado a primeira partida e ter feito o setup rápido, me batendo principalmente com Thundurus contra os Yveltalzinhos e depois os EX. Essa eu perdi fácil, mas serviu pra eu entender contra o quê estava jogando. A segunda partida eu consegui fazer o deck rodar e foquei mais em bater de Bouffalant e finalizar com Yveltal-EX. A terceira partida foi muito apertada por causa do tempo mas ele tinha aberto uma boa vantagem, foi quando caímos nos 3 turnos. Eu não tinha a menor chance de vencer e pra ele faltavam 3 prêmios. Ele tinha um thundurus com 140 de dano no banco e eu tinha um Darkrai montado zerado, era meu turno 2 e o dele seria o último. Eu vi que ele tinha o banco cheio, 3 deoxys e uma Lugia com 1 energia. Resolvi atacar e matar o Thundurus do banco no snipe do Darkrai. Foi a maior estupidez, burrice, idiotice que alguém poderia cometer, antes eu não tivesse feito nada pois ele não iria conseguir vencer. Ele baixou DCE na Lugia, usou Colress Machine, ligou Muscle band, baixou o quarto Deoxys e deu Switch pra ganhar ali aos 48 minutos do segundo tempo. Esse meu missplay me deixou muito abalado e tirou completamente a minha confiança. Vi que a minha luta seria principalmente contra mim mesmo e que se eu realmente quisesse fazer Top não poderia mais perder nenhuma, nem cometer mais missplay algum, por mais bobo que fosse. E foi o que eu enfiei na cabeça e não deixei mais sair.
0-1-0

2º Round X Kaio (Infernape/Lugia-EX/Deoxys-EX/????)
Fui parar na mesa 96 e dali teria que me superar de qualquer forma. Enfrentei um deck que não tinha visto antes, nem lembrava o que o Infernape fazia. Não lembro exatamente tudo o que ele usava também, mas lembro que a primeira partida eu venci com facilidade pois ele ficou zicado sem Supporter por um bom tempo. Já a segunda partida o meu deck decidiu não funcionar e o dele sim, funcionou, ele ficou usando o ataque que me impede de usar um dos meus ataques então não tinha como bater forte. A terceira partida foi mais equilibrada, mas teve um momento que ele foi ficando sem energia e eu acabei limpando o campo dele já quase o tempo sendo chamado. O deck parecia interessante e ele joga bem, porém vi que ele estava bem nervoso e isso me ajudou.
1-1-0

3º Round X Junior (Landorus-EX/Mewtwo-EX/Bouffalant?/Garbodor)
Cearense gente finíssima, as partidas foram bem disputadas. Foquei em usar Yveltal-EX e Yveltalzinho já que têm resistência ao Landorus e acho que o peguei de surpresa batendo de Keldeo com Muscle Band pra limpar os Landorus dele. O que mais me incomodava era ele dar Max Potion, já que é difícil dar 1HKO contra o deck dele. Não lembro se foi 2-0 ou 2-1 pra mim, mas comecei a contar com a minha sorte a partir desse momento acertando os Catcher e os Laser. Fizeram bastante diferença.
2-1-0

4º Round X Henrique (Aromatisse/Thundurus-EX/Genesect-EX/Darkrai-EX/Techs)
Essa partida foi muito divertida e me exigiu bastante raciocínio. A primeira ele começou de Thundurus e eu apenas de Sableye, e eu estava com uma mão horrível e sem Pokémon no banco. Ele ligou energia no ativo, descartou energia e baixou Genesect pra começar a botar energia no campo dele. Eu deixei ele poison mas acordado e ataquei de Confuse Ray, deixando ele confuso. Ele atacou com Muscle e acertou cara, tomei 50 de dano. Comprei finalmente Supporter e consegui baixar Bouffalant com DCE. Ele atacou e tomou dano de confusão, daí eu finalizei de Bouffalant e comecei a fazer meu setup rápido, levando essa. A segunda partida foi bem mais difícil, ele saiu na frente nos prizes e acabou limpando minhas energias do campo. Teve um momento em que veio Sableye, Hammer e Dowsing Machine na minha mão. Eu usei Hammer, Dowsing pra Hammer de novo e Junk Hunt pras duas novamente. Ele não conseguiu nocautear o Sableye por eu ter deixado o campo dele só com energias plasma e uma prism, então eu dei novamente Hammer e Dowsing pra Hammer e Junk hunt de novo. Levei um N depois disso e comecei a bater. Acertei um Catcher pra nocautear Aromatisse e isso facilitou bastante. Lembro que pro meu ultimo prize ele deixou um Virizion ativo com prism e eu consegui o combo de Bouffalant/Muscle/Laserbank com a Hammer que veio na minha mão de novo. Pra vocês verem como aprendi com a final do ano passado, hahaha.
3-1-0

5º Round X Louis (Darkrai/Yveltal/Garbodor)
Outro cara muito gente fina, conversamos bastante. A partida foi relativamente tranquila por um simples detalhe: ele não usava Yveltalzinho. Contra mirror ele faz diferença na troca de prizes e por ir distribuindo dano pra depois finalizar com Bouffalant. Ele então foi forçado a estar atacando sempre com os 3 Yveltal-EX dele, quem começa a guerra de Yveltal geralmente leva a pior, como era antigamente na Mewtwo War. Além disso, lembro de ele não ter usado tanto o Garbodor, o que me permitiu abusar do Keldeo pra sair do Poison/Sleep. No final da partida ele me disse que na cidade dele ele tem dificuldade em conseguir cartas, o Yveltalzinho ele não tinha conseguido. Peguei na minha mochila um outro Yveltalzinho que eu tinha e dei pra ele melhorar o deck dele pros outros torneios.
4-1-0

6º Round X Francisco (Virgen)
Alguns pequenos fatos que aconteceram pra chegar a esta partida. Meu pokémon favorito é o Cyndaquil e eu sempre joguei com a moeda do Cyndaquil. Antes do Nats este ano não sei onde foi parar a minha moeda e tive que escolher outra entre as que eu tinha. Vi a do Totodile e resolvi pegar ela por ser a mais próxima do Cyndaquil, só que logo antes de começar as rodadas o Bortoni disse que o Francisco queria a moeda do Totodile e tinha uma moeda do Cyndaquil mas toda baleada. Eu preferi não pegar a moeda dele, mas mesmo assim passei a do Totodile pra ele. O Bortoni me deu a do Rayquaza bonitona dele e como eu perdi a primeira rodada usando ela, resolvi trocar de novo de moeda. Entre as outras que restaram eu escolhi a do Tyranitar por achar a mais imponente que eu tinha haha, foi ótima escolha pois ela deu cara nos momentos mais cruciais durante o torneio. Outro adendo a esta partida foi um conselho que pedi ao Semedo no que ele fazia contra Virgen pra vencer, já que estávamos com decks muito parecidos. Ele me explicou rapidamente entre uma rodada e outra que deveria distribuir dano com Yveltalzinho, já que os 30 de poison não iriam combar com o Bouffalant/Yveltal-EX, e que meu inimigo número 1 era o Virizion, que eu não poderia deixar ele dar mais que 1 Emerald Slash. Foi o que eu fiz e foi bem sucedido contra o Francisco. Teve alguns momentos em que ele ficou sem Virizion no campo e isso sim ajudou a bater mais com Laser. Também não lembro se foi 2-0 ou 2-1, mas foi uma partida muito divertida contra outro cara que passei a admirar muito. Foi uma partida muito importante pra eu aprender a jogar contra quem eu iria enfrentar no Top4.
5-1-0

7º Round X Nelson Magalhães (Darkrai/Yveltal/Garbodor)
O Nelson eu conheci ano passado quando fui jogar um Regional no Rio e pegamos metrô juntos. Lembrei dele pois temos o mesmo sobrenome e sabia desde aquela época que ele é muito gente fina também. A esta altura do campeonato nós dois estávamos na mesa 2, mas ainda assim não era garantia de Top de forma alguma, tanto que o colega que estava na mesa 1 acabou perdendo as duas seguintes e não fez Top. Não lembro bem os detalhes desse match mas a primeira partida ele levou com certa facilidade por ter montado Garbodor rápido, não me deixando usar Rush In e Dark Cloak e ter me deixado dormindo alguns turnos. A segunda partida ele estava bem na frente, mas eu consegui fazer um comeback na base da sorte de catcher e laser também. A terceira partida foi bem tensa porque estávamos com o tempo quase estourando e os juízes se sentaram do nosso lado pra observar a partida, eu estava com um pouco mais de vantagem e o Judge chamou atenção dele por demorar no turno dele, acabou nos dando extensão de tempo de uns 3 minutos e, ainda assim, nos 3 turnos eu acabei zicado sem Supporter e sem acertar os catcher que precisava pra pegar meus últimos prizes. Acabamos empatando e ambos com a obrigação de vencer pra conseguir chegar ao Top.
5-1-1

8º Round X Gustavo Melo (Virgen)
O Gustavo é de Goiânia e já havíamos nos enfrentado 3 vezes. Uma vez no City de Brasília, as outras duas vezes nos Regionais de Brasília e Goiânia, eu sempre com Darkrai/Yveltal e ele sempre de Virgen e sempre no último Round do suíço, sendo que em Brasília nos enfrentamos no Top também. Meu histórico com ele é de ter vencido todas, eu conhecia o deck dele, sabia como ele jogava e fiquei confiante quando vi que iria enfrentar ele. No entanto, pra minha grande surpresa e admiração, ele espontaneamente e antes de começarmos a partida disse que iria me conceder a vitória, já que eu estava 5-1-1 e ele com 5-2-0 e com standings ruins, ou seja, mesmo que ele vencesse provavelmente não iria pro Top e eu vencendo não seria garantia de ir pro Top, uma vez que iria depender dos resultados das outras partidas. De qualquer forma, jogamos pra ele me treinar e foi MUITO importante pra eu me preparar contra os Virgen que eu iria enfrentar caso eu fosse pro Top. A partida se resumiu em bater de Yveltalzinho e finalizar com Bouffalant e Yveltal-EX. O Gustavo joga muito bem e eu acredito que tem potencial de competir pelo título ano que vem também, além de ter meu imenso respeito e admiração.
6-1-1

Cansado!

Passei pro Top8 em 6º lugar, com um alívio imenso mas já preocupado pois sabia que iria enfrentar novamente o Nelson, com o deck que eu tive mais dificuldade de jogar durante o primeiro dia.
O suíço foi acabar quase meia-noite, eu estava exausto, já não tinha dormido bem a noite anterior, estava com fome e sede. O Bortoni trouxe comida, bebida e me ajudou ainda naquela noite a treinar mais um pouco. Eu montei um Darkrai/Yveltal/Garbodor com uma lista o mais parecida possível que eu consegui lembrar do meu oponente e jogamos uma partida. O campeão mundial Gustavo Wada foi ao nosso quarto ainda aquela noite e jogou umas 3 ou 4 partidas usando o deck do Nelson e eu perdi TODAS, até chegar a hora em que eu disse: preciso descansar, não consigo mais raciocinar. Agradeço ao Guto e ao Mauro Wada pela força nesta noite, são estes pequenos momentos que nos traz a dificuldade, mas ao mesmo tempo a vontade de nos superar.
Acordei no dia seguinte às 7h30, tomei um banho e acordei o Bortoni pra me treinar mais umas três partidas contra o deck do Nelson, ele ganhou a primeira e eu as outras duas, então fiquei mais confiante. Estava preocupado pois sabia que iria enfrentar Virgen caso fosse pro Top4, mas como havia vencido contra Virgen no suíço preferi focar no match do Nelson mesmo. Estava uma pilha de nervos até sentar na mesa e começar a jogar, fiquei mais tenso ainda quando vi que iria pro Stream. Lembrei da final do ano passado, do nervosismo, da pressão, de tudo e resolvi deixar tudo pra trás. Me lembrei que um oponente durante o Mundial me viu muito nervoso e me disse muito gentilmente: “This is just another game, imagine you are playing with your friend”, ou seja, “Esta é só mais uma partida, pense que você está jogando com um amigo seu”. Foi o que eu fiz durante todo o Top desse ano.

Top 8 X Nelson Magalhães (Darkrai/Yveltal/Garbodor)
Não lembro bem como foram as duas primeiras partidas, eu ganhei a primeira e ele a segunda. Ele joga muito bem, tive medo de usar Keldeo e ele deixar o Keldeo preso na frente dormindo e envenenado com Garbodor ativado, então foquei em bater só de Yveltalzinho e Bouffalant pra dar um prize por vez. A última partida foi muito tensa pois ele tinha aberto uma vantagem absurda no começo e eu tive que fazer um comeback mítico, jogando na base do N e do laser/catcher. O tempo estava para ser chamado quando me faltavam dois prêmios e eu consegui deixar um Yveltal-EX dele preso na frente sleep e poison e no turno dele ele não acordou e não tinha como tirar ele da frente. Eu ataquei pra poder avançar ao Top4.

Top 4 X Cesar Lopes (Virgen/Roserade)
Sabia que seria a partida mais difícil até então pois iria enfrentar um Campeão Nacional e o primeiro top player que eu passei a admirar, mesmo ele não sabendo disso. A primeira partida pensei que iria perder de cara pois comecei de Keldeo, ou seja, dois prizes grátis pro Virgen. Eu comecei e consegui dar laserbank no Virizion ativo dele e recuar o Keldeo, ele preferiu ligar energia no Virizion do banco e deixou o dano correr no ativo. No outro turno eu consegui nocautear o Virizion ativo já atacando, consegui derrubar o segundo Virizion sem muita dificuldade e o Genesect por último, tudo com muita dificuldade pois ele me dava N o tempo todo. Na segunda partida ele conseguiu fazer o setup rápido, montou dois Genesect e eu não tive muito o que fazer, tinha uma mão perfeita pra usar Oblivion Wing e já energizar os pokémon do banco porém os dois Yveltalzinho estavam no prêmio. A terceira partida foi a mais emocionante e difícil, ele começou de Genesect e eu dei laserbank de novo no T1, ele deixou o dano rolando no Genesect enquanto armava o Virizion no banco, só que eu não consegui de jeito nenhum finalizar o Genesect dele a tempo, então ele recuou e deu Max Potion nele e começou a fazer o seu setup. Ele abriu vantagem e eu fui minando dano pra ir matando os pokémon dele aos poucos. O tenso mesmo foi quando o tempo foi chamado, eu tinha acabado de nocautear o Sigilyph dele com Bouffalant/Muscle/Laser e ficamos eu com 3 prêmios e ele com 2, se não me engano. Como o tempo foi chamado entre turnos o turno dele se tornou 1, o meu 2 e o dele 3 e pronto. Ou seja, eu tinha que puxar dois prêmios e ele não podia pegar nenhum, eu com um turno apenas e ele com dois. Ele tinha um Genesect com Muscle no banco e um Virizion com uma energia apenas, eu tinha o Bouffalant ativo e um Yveltal com Muscle, duas Dark e uma DCE no banco. Ele me deu tool scraper e hammer no Yveltal e deixou uma Roserade na frente pra eu não conseguir pegar os dois prêmios, ele quis que fôssemos pra morte súbita. Eu sabia que tinha carta o bastante pra nocautear o Genesect com o Yveltal-EX, mas precisava acertar um catcher de dois, e caso não acertasse os catcher eu podia perder de deck out. Então arrisquei tudo: usei tool scraper apenas no Virizion, deixei a muscle no Genesect pra ele não ligar G-Booster no lugar e dei uma Juniper pra pegar 7 cartas de 8. Vieram os dois catcher, a última DCE e o dark patch que faltavam, não tinha mais Muscle, acertei o primeiro catcher logo de cara e pude nocautear o Genesect dele, ele ficou sem como responder apenas com o Virizion e eu venci pela diferença de prêmios. Acabou sendo a partida mais difícil do torneio, vencendo o campeão que eu admiro eu fui confiante pra mais uma final seguida do Nacional.

Final X Alex Silva (Flareon/Leafeon/Trevenant/Raichu/Terrakion)
Não conhecia o Alex, nos falamos brevemente antes da partida, ele foi vice-campeão nacional alguns anos atrás e brincamos que naquele dia pelo menos um de nós deixaríamos de ser apenas vice. Não fazia a menor idéia de como era o deck dele, do que ele usava, qual era a estratégia, enfim… Consegui conversar brevemente com algumas pessoas que haviam enfrentado ele pra ter idéia de como estava o deck dele e ouvi palpites do que eu deveria fazer contra. Sabia que tinha uma leve vantagem pois eu consigo bater forte e rápido contra os pokémon de baixo HP que ele usava, e caso ele quisesse me travar, o Trevenant tem fraqueza contra Dark. O grande problema era o Raichu, meu inimigo número 1. A primeira partida foi relativamente tranquila pois eu consegui bater rápido, levei dois prizes rápido e acertei um catcher no Jirachi-EX dele, pegando mais dois prizes fáceis. Ele não tinha como responder pois eu já estava com meu setup encaminhando e então ele desistiu e fomos pra segunda partida. Nesta outra eu comecei com dois Yveltal-EX na mão, preferi baixar os dois com medo de não vir mais pokémon caso eu ficasse zicado. Acabei sendo forçado a bater de Yveltal-EX mesmo e ele levou os dois com o Raichu e deixou Trevenant ativo enquanto fazia o setup. Tentei zicar ele dando 2 ou 3 N seguidos mas ele comprou Tropical Beach e sempre enchia a mão de volta. Ele deixou um Terrakion e um Flareon prontos no banco pra responder contra qualquer coisa que eu mandasse pra frente, então eu acabei desistindo da partida e fomos pra terceira. O começo da terceira foi tensa pois ele montou Raichu rápido, porém logo que eu limpei os Raichu dele, ele ficou uns 3 turnos sem muita coisa pra fazer, então levei 3 prizes fáceis, fiquei por 1 prêmio e tinha um Yveltal EX baleado e um Yveltalzinho com muscle e 3 energias pra bater 120, preferi poupar o Yveltalzinho pois ele quem tinha maior poder de fogo naquele momento. Tomei um N de uma carta e comprei um catcher, ele matou meu Yveltal com Terrakion zerado e eu pensei: estou a uma cara de ser campeão, estava com a mão tremendo já, quando comprei a carta do turno veio um laser, que era tudo o que precisava pra somar 130 de dano no Terrakion dele.

 

Este foi um dos momentos mais felizes da minha vida, sem dúvida alguma. Todo o peso do ano anterior saiu das minhas costas e me senti com o dever cumprido.
Agora é treinar para o mundial, contar com os amigos sempre e com um pouco de sorte, claro.
Gostaria de agradecer a todos que torceram por mim e me ajudaram de alguma forma, mas em especial pro pessoal de Brasília: Bortoni e Daniel que são meus grandes parceiros de treino, Bonfim que sempre que possível jogamos e pela grande torcida, o Charlon, Bah e o Da Massa que embora não estejam jogando tanto atualmente me ensinaram muito quando comecei a jogar.
Quem quiser pode me adicionar no facebook e no PTCGOnline, sempre que posso eu jogo umas partidas, meu nickname lá é: kikuichimoji.

Abraços a todos!

3 pensamentos sobre “Campeão do Nacional de Pokémon TCG 2014

  1. Pingback: Let's Collect News » Report do Nacional 2014 — Pokémon TCG

  2. Parabéns cara, sempre acompanho os report da galera, e vamos representar la fora em. Sou do Acre e estou torcendo por vocês, larguei do yu-gi-oh e vou começar no pokemon em breve quem sabe um dia agente se encontra pelos campeonatos da vida.

    Boa Sorte

  3. Parabéns (bem atrasado por sinal hue hue) pelo champ Marcelo. Não estou acompanhando o cenário de pokémon tcg há alguns anos mas vejo que ainda está bastante forte, e isso me alegra muito. Tenho 34 anos e parei de jogar quando saiu team aqua x team magma.

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